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Boquitas pintadas ponto pt

O que separa a realidade da ficção é muito ténue: a ficção dá-te carta verde para acrescentares experiências imaginadas do que se viveu, o...

Boquitas pintadas ponto pt

O que separa a realidade da ficção é muito ténue: a ficção dá-te carta verde para acrescentares experiências imaginadas do que se viveu, ou torcidas, do que se vive imaginando, elaborando um «trabalho de sonho», coisa iminentemente psicanalítica. A prosa de ficção tem uma ambiência própria, que, para mim, só resulta naquela transferência tão solitária, íntima e discreta que se faz entre um leitor e o livro, de papel. Em blogues não funciona. E por isso repenso o rumo deste blogue, que provavelmente tomará de novo o curso que tinha. Um blogue fica bem com a realidade biográfica, com as vibrações do seu autor em relação com o mundo. Não digo que esta seja a bitola, porque não é, mas é o que de facto resulta melhor. O comentário, a crítica, a crónica.


A menos que tenhas uma talento de Mãe Preocupada, que consegue dar o ambiente próprio da prosa ficcional à sua biografia, que sentimos sempre estender-se e acender-se num esófago de imensidão e gratidão por se viver. Mas não podemos todos ser a Mãe Preocupada, e ainda bem.