Da transcendência na pintura moderna


Rauschenberg

A pintura, haveremos de o descobrir, tornou-se na arte essência-prima. Tudo começa por uma imagem, por uma visão. Difusa, sedutora; não é um mandato técnico que, sobre as mitologias do que aparece-não aparece, se revela a síntese de um tempo ou estado emotivo.

A literatura, por sua conta, é o gesto mecânico de reproduzir essa visão numa metáfora através destes símbolos-palavra. Mexe no âmago, mas só sob certas condições: ensina-nos que não existem histórias únicas.

A música é uma arte que se revela à posteriori, e, embora tenha uma qualidade suprema, a imaterialidade, que nenhuma das outras artes possui, não deixa de ser remetida ao poder sedutor das imagens: e eis que nos surge a pintura, de novo, triunfante.

No desenho, e especialmente com o modernismo na arte, a humanidade transcendeu toda a linguagem. A linguagem literária, musical, até a pictórica. É óbvio que o defeito das imagens é serem lidas: como acontece na fotografia e no cinema, estão ali para ler. Estão consignadas ao domínio literário, a esse espaço clássico da narrativa. No desenho não. O desenho é algo que se liga à imaginação pura, pré-existência, alma, além de uma série de mecanismos na psique e personalidade do artista que nos são, espectadores, impossíveis de descodificar.

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